Como funciona uma requisição de IA
Uma explicação passo a passo, no seu ritmo. Cada etapa mostra o que acontece, por que acontece, e traz uma camada extra "Por dentro" com o detalhe técnico. No fim há seções para se aprofundar.
Quer entender mais a fundo?
Toda vez que você conversa com uma inteligência artificial, o seu texto passa por uma sequência de etapas, do prompt até a resposta. Abaixo, em detalhe, o que acontece em cada uma delas.
1. Prompt
Tudo começa com o texto que você escreve, o prompt. Para o computador, isso ainda é só uma sequência de caracteres, sem significado. Computadores não entendem palavras; só sabem fazer contas com números. Por isso, o primeiro trabalho é transformar esse texto em números, processá-los, e no fim convertê-los de volta em texto.
Por dentro: Para o modelo, o seu texto é só uma sequência de caracteres; ele não sabe sua intenção. Em muitos sistemas, junto do que você digita vão também instruções fixas (o "system prompt") e o histórico da conversa, e tudo isso entra da mesma forma: como texto que será transformado em números.
2. Tokenização
O texto é cortado em pedacinhos chamados tokens: palavras curtas, partes de palavras, números ou pontuação. Por que não palavra por palavra? Porque, dividindo em pedaços, o modelo monta até palavras que nunca viu, combinando partes conhecidas. Cada token tem um número de identificação (ID) numa lista gigante, o vocabulário.
Por dentro: A forma de cortar o texto é aprendida a partir de muitos exemplos (um método chamado BPE). Os trechos mais comuns viram um token só; os raros são quebrados em vários pedaços. O total de tokens é o que define o custo de uso e quanto texto o modelo considera de uma vez (a "janela de contexto").
3. Embeddings
Um ID sozinho é só uma posição numa lista; não diz nada sobre o significado. Então cada token vira um vetor: uma lista de vários números. Pense num vetor como as coordenadas de um ponto: assim como latitude e longitude colocam uma cidade no mapa, esses números colocam o token num "mapa de significados", onde palavras parecidas ficam perto. A partir daqui, o modelo só trabalha com números.
Por dentro: Esses números não foram escolhidos à mão: o modelo os aprendeu durante o treino, aproximando palavras usadas em contextos parecidos. A cada vetor também se soma a posição do token na frase, porque a ordem importa: "o gato mordeu o rato" é diferente de "o rato mordeu o gato".
4. Cálculo na GPU
Agora você tem uma tabela enorme de vetores, só números. Quem faz as contas com eles é a GPU. Praticamente tudo daqui pra frente (a atenção, a predição) é multiplicar e somar tabelas de números, o que se chama multiplicação de matrizes. A GPU é especializada em fazer milhões dessas continhas ao mesmo tempo, em paralelo, e é isso que torna a IA rápida o suficiente para existir.
Por dentro: Cada número do resultado é uma soma de multiplicações entre uma linha e uma coluna: contas simples, mas em quantidade enorme (um modelo grande faz trilhões por resposta). A CPU faria poucas por vez; a GPU tem milhares de núcleos e faz muitas ao mesmo tempo. A "inteligência" está nos pesos aprendidos, não na GPU, que só executa as contas.
5. Atenção
Agora o modelo descobre como os tokens se relacionam. Pense na frase "...porque ele estava com fome": para saber a quem "ele" se refere, é preciso olhar as outras palavras. Atenção é isso: cada token decide em quais outros olhar e o quanto cada um importa. Cada token só enxerga os anteriores.
Por dentro: Na prática, cada token faz uma "pergunta" e cada token oferece uma "resposta"; o modelo compara as duas para decidir o quanto um deve olhar para o outro, e então combina as informações. Isso roda em paralelo em várias "cabeças" de atenção e se repete por dezenas de camadas, captando relações cada vez mais sutis.
6. Predição
Com o texto todo processado, o modelo estima a probabilidade de cada token possível ser o próximo. Ele não tem a resposta guardada em lugar nenhum: calcula, com base em tudo que aprendeu, qual pedaço de texto é mais provável vir agora. No fundo, um modelo de linguagem é só isto: uma máquina de prever o próximo token.
Por dentro: O modelo dá uma nota a cada token possível do vocabulário (dezenas de milhares). Uma conta chamada softmax transforma essas notas em porcentagens que somam 100%. Em seguida ele sorteia um token conforme essas chances; um pouco de aleatoriedade (a "temperatura") é o que evita respostas sempre iguais.
7. Geração
O modelo escolhe um token, escreve, e repete todo o processo (tokens, vetores, GPU, atenção, predição) já incluindo esse novo token, para prever o próximo. Um de cada vez, até a frase fechar. É por isso que a resposta aparece como se estivesse sendo digitada: ela é mesmo construída pedaço por pedaço, em tempo real.
Por dentro: O modelo não planeja a frase inteira de antemão: ele só prevê o próximo token, e a frase vai surgindo dessa repetição. A cada token novo, todo o texto até ali volta a passar por tudo. Ele para quando gera um token especial de "fim"; por isso respostas longas demoram mais e o texto aparece aos poucos.
Simulação didática e simplificada. Modelos reais têm dezenas de camadas, vetores com centenas ou milhares de dimensões e várias "cabeças" de atenção em paralelo. A ordem das etapas, porém, é fiel ao que acontece de fato.